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O rali eleitoral e a iminente reversão no preço do Ouro 24k pós-urnas

Dólar em queda após o 1º turno também derrubou o grama do ouro. Entenda a tese de que o preço pode reverter após o 2º turno de 25 de outubro.

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Mercado Financeiro · Especial Eleições 2026 · Por Alexandre Mathias Nader · 22 de outubro de 2026

A contagem regressiva para o segundo turno das Eleições Presidenciais de 2026, marcado para 25 de outubro, trouxe uma calmaria temporária aos ativos tangíveis no Brasil. A liderança do senador Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno, com 47,03% dos votos válidos, deflagrou um rali de forte otimismo que derrubou o dólar comercial para a casa dos 5,00 reais e abriu uma janela de liquidação no mercado de metais preciosos.

Para os observadores mais atentos, porém, essa retração não é uma tendência de longo prazo, e sim uma oportunidade técnica de posicionamento. Diante da máxima de que o mercado "sobe no boato e realiza no fato", sustento aqui uma tese clara: o Ouro 24k (pureza 999) opera sob um teto artificial de desconto e tem grandes chances de voltar a subir com força logo depois da consolidação do resultado das urnas.

A mecânica do desconto: o efeito câmbio no primeiro turno

Para entender a oportunidade atual, é preciso olhar como o ouro é precificado no Brasil. O valor do grama do Ouro 24k depende diretamente de duas variáveis: a cotação do metal na Bolsa de Nova York (COMEX) e a taxa de câmbio do real frente ao dólar.

Como se forma o preço do ouro

A alta corretiva projetada para o dólar atua como alavanca direta sobre o grama do metal.

Quando o resultado de 4 de outubro apontou a vantagem da oposição e a eleição de uma bancada expressiva de 121 deputados federais e 19 senadores do PL, o mercado reagiu com uma forte injeção de apetite por risco. O dólar desabou mais de 4% em um único pregão e arrastou junto o preço do grama do ouro em reais. Esse recuo criou a ilusão de uma tendência de baixa, ignorando o caráter especulativo e antecipatório da oscilação cambial.

Grama do ouro em 2026

Entre 2 e 5 de outubro, o grama calculado caiu de 699,05 reais para 666,34 reais (−4,7%). O ouro em Nova York ficou praticamente parado (−0,1%): quase toda a queda veio do dólar.

Os motores da reversão: por que o ouro deve subir depois do segundo turno

A tese de que o ouro retomará a trajetória de alta depois da definição do pleito se apoia em fatores técnicos e conjunturais que convergem para a busca por proteção (safe haven).

1. A realização de lucros no câmbio

Os fundos que operaram vendidos em dólar no início de outubro para lucrar com a euforia política vão começar a encerrar suas posições assim que o "fato", o resultado final da eleição, se consumar. Isso exige recomprar dólares em grande volume. À medida que o dólar fizer sua alta corretiva e voltar aos patamares de equilíbrio, o preço do ouro no Brasil será empurrado diretamente para cima pelo motor cambial.

2. O choque de realidade orçamentária em 2027

A passagem das promessas de austeridade, que incluem corte de despesas de 1,5% do PIB, para a execução prática do Orçamento da União vai impor um choque de realidade a partir de janeiro. Quando os investidores perceberem que as reformas exigem tempo e articulação complexa no Congresso, o entusiasmo inicial dará lugar à prudência. Com a inflação projetada em 5,22% pelo Boletim Focus, o capital tende a migrar de novo para a segurança do ouro físico e dos contratos futuros na B3.

3. Polarização estreita e risco institucional

As pesquisas para o segundo turno indicam que o país sairá das urnas profundamente dividido. O levantamento mais recente da Futura Inteligência aponta empate técnico: Flávio Bolsonaro com 51,1% dos votos válidos e Lula com 48,9%. Uma vitória por margem tão estreita sinaliza tensão política contínua. Historicamente, cenários de fricção institucional elevam o prêmio de risco do país e levam o investidor de longo prazo a proteger o patrimônio em ativos de valor intrínseco, como o ouro 999.

O que a história recente ensina sobre o metal

A tese de que o Ouro 24k passa por uma desvalorização artificial, provocada pelo rali do primeiro turno, encontra respaldo nas duas últimas eleições presidenciais. O ouro e o câmbio seguiram o mesmo roteiro de acomodação e reversão.

O ciclo de 2018: da euforia liberal à busca por proteção. A consolidação da liderança da centro-direita no primeiro turno provocou um movimento parecido com o de agora. A perspectiva de uma agenda liberal guiada por Paulo Guedes gerou forte otimismo.

  • A janela de desconto: o dólar caiu de perto de 4,20 reais para a casa dos 3,71 reais nas semanas em torno das votações, derrubando o preço do ouro no mercado interno.
  • A reversão depois do fato: consumado o segundo turno, o mercado realizou lucros. No primeiro semestre seguinte, com os primeiros ruídos na articulação política e as dificuldades fiscais à vista, o dólar subiu com força e empurrou o preço do ouro para cima no país.

O ciclo de 2022: a rápida remoção do risco e a volta aos fundamentos. Antes do segundo turno, a volatilidade inflou os ativos de proteção, com o dólar perto de 5,30 reais pelo temor de descontrole fiscal e instabilidade institucional.

  • O alívio pontual: no primeiro pregão depois da eleição, o reconhecimento internacional rápido do resultado esvaziou o prêmio de risco. O dólar caiu 2,55% e fechou a 5,16 reais, e o ouro acompanhou a baixa.
  • A volta à realidade: a calmaria durou poucos dias. Quando a PEC da Transição e a nova equipe econômica dominaram as manchetes, o dólar e o ouro retomaram a alta.
Precedentes 2018 e 2022

_Em 2018, o grama calculado saiu de 143,18 reais no dia seguinte ao segundo turno para 173,69 reais no fim de junho de 2019 (+21%). Em 2022, foi de 269,25 reais em 3 de novembro para 312,28 reais em 14 de dezembro (+16%)._

Três eleições, um roteiro

O vento de popa internacional

Além dos gatilhos domésticos, o cenário global joga a favor do metal. Ao longo de 2026, o ouro tem sido sustentado por riscos geopolíticos elevados e pela recomposição das reservas de grandes bancos centrais. Se o Federal Reserve sinalizar qualquer necessidade de proteção, o preço em Nova York sobe, somando-se à pressão cambial que se desenha no Brasil.

Distância do recorde

O recorde do grama calculado foi de 888,40 reais, em 29 de janeiro de 2026. Em 21 de outubro estava em 670,82 reais: para voltar ao topo, precisa subir cerca de 32%.

Conclusão

Os dados de eleições anteriores mostram que as janelas de euforia eleitoral costumam ser passageiras. O recuo do Ouro 24k nas últimas semanas reflete uma calmaria artificial gerada pela especulação de curto prazo no câmbio. Encerrada a votação de 25 de outubro, a dissipação do fator novidade e a volta aos desafios fiscais do país tendem a reativar a busca por proteção patrimonial, consolidando o ouro como destino natural do capital preventivo no fim de 2026.

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_Este texto reflete a opinião do autor e não é recomendação de investimento. O grama citado nos gráficos é um cálculo de referência (ouro COMEX × PTAX de venda do Banco Central ÷ 31,1035), antes de impostos, frete e spread, e não é a cotação de compra ou venda da loja._

A cotação de hoje

O preço do ouro muda ao longo do dia, então ele não é escrito aqui: a página de cotação mostra o valor do momento, por gramatura.